Egito, um cavalo difícil!?

Um dia, estávamos eu e meu pai na hípica quando o dono nos chamou, ele nos pediu para anunciarmos alguns cavalos em nosso site. Foi falando dos animais e nos mostrando, até que chegou no Egito. Ele virou e falou, quero x mil nele, eu olhei o cavalo, meu pai olhou e não estávamos entendendo nada, então resolvemos perguntar o porquê ele estava tão barato.

Puro sangue lusitano

5 anos

Castanho

Inteiro

 

 

O dono nos explicou que aquele animal era difícil, não tinha como mexer nele, toda vez que iam limpar a baia ele virava o carrinho, não dava para tirá-lo da baia que ele estirava e fugia, morria de medo de pessoas e assim vai!

 

 

Não agüentei, achei-o o meu número e para completar ele era (é) LINDO! Então resolvi montá-lo e tentar resolver alguns dos problemas.

 

Primeiro dia, eu fui tirá-lo da baia, o cavalo fazia mais de meses que não saia de lá. Fui com algumas cenouras e logo de inicio ele começou a confiar em mim! Percebi que ele tinha apenas 3 ferraduras e que não sabia o que era sair da baia, foi ai que resolvi levá-lo para um piquete. Ele estranhou bastante, não queria sair do lugar! Aos pouco foi relaxando e criando coragem para andar, mas ai perdeu mais uma ferradura!

 

Nos dias seguintes apenas andei com ele no gramado, sempre acompanhada da cenoura para que ele se acostumasse a sair da baia e relaxasse, com apenas duas ferraduras este era o máximo que poderia ser feito até o momento!

 

 

Finalmente ele havia sido ferrado, quando cheguei era outro cavalo, com medo, assustado. Contaram-me que ele fugiu do ferrador, saiu correndo se enroscou no arame farpado e quase deixou o pescoço por lá! Ok começar tudo de novo. Soltei-o no piquete alguns dias para que pudesse relaxar!

 

Chegou a hora de montar, peguei, encilhei e o levei na guia até uma pista de adestramento coberta totalmente fechada! Quando ele entrou já ficou agitado, logo me tomou a guia e começou a correr! Consegui chegar perto e tirar a guia para que ele não se machucasse, para mim não teria como ele sair daquela pista.

 

 

 

Engano meu… Ele começou a correr, embicou na cerca e pela minha surpresa levou ela no peito. Saiu correndo pela hípica embicou para o portão e saiu. La fui eu e o tratador correndo atrás com uma cenoura! Nossa sorte foi que havia um carro vindo e ele não chegou até a estrada principal! Nessa hora ele já estava sem cela e apenas com a cabeçada. 

 

Ao levá-lo de volta para a hípica, no portão ele arrancou a rédea, estirou e fugiu para uma rua sem saída, lá fomos nós correndo atrás dele de novo.  Cercamos ele e achamos que não teria mais para onde correr, afinal de um lado era um muro e do outro uma mata fechada cheia de galhos secos. E lá foi ele para a mata! Depois de uns 3 minutos lá ele resolveu “se entregar” com aquela cara de “cachorro sem dono” (hahahaha…) cheio de galhos no rabo e na crina. Voltamos para casa e ele ficou na baia.

 

No dia seguinte mudei de novo a estratégia! Coloquei apenas a cabeçada e fomos para o redondel. Acrescentei um pouco mais de carinho e torrões de açúcar no treinamento. Ficamos um tempinho lá até que pude tirar a guia e trabalhar com ele solto. 

 

Cada dia que passava ele ia ganhando mais confiança, já me seguia, não precisava mais me preocupar dele fugir, pois ele queria era ficar do meu lado. Ele trabalhava comigo no redondel e ia para o piquete. Ficou um doce na lida, parou de derrubar os carrinhos até começou a colocar a cabeça para fora da baia!

 

Chegou a hora de colocar a cela de novo! Levei-o para o redondel e trabalhei normalmente ao final fui encilhá-lo. Até que esta parte não foi complicada, ele tinha um pouco de receio da cela e da barrigueira, mas nada que a confiança que ele tinha em mim não o deixasse mais seguro!

 

Finalmente hora de montar (e eu confiante que seria algo fácil!!), coloquei o pé no estribo e ele começou  girar!!!  Ficamos uns 20 minutos girando (mas ai não tinha mais como voltar atrás, era ou subir ou subir), até que consegui ficar em pé em um estribo. Ele tremia muito, fui agradando, agradando e ele relaxando, passei a perna e sentei, ele travou! Ficou duro sem se mexer. Essa era à hora de parar, passei a perna de volta e quando fui descer ele pulou. Vi que partir daí tinha um longo trabalho!

 

No outro dia fiquei só subindo e descendo do estribo até que ele parasse de girar, mas não montei, apenas agradei e o levei para a baia. Depois comecei a subir e descer! Na subida até que estava “tranqüilo”, mas na descida!!!

 

Resolvi que era hora dele dar uns passos montado! Passos? Ele não sabia o que era isso, apenas trotava rápido e galopava meio que disparando! Próximos passos ensiná-lo apenas a andar! Fiquei uma semana apenas ensinando a andar ao passo, mas quando eu ia agradar no pescoço ele pulava, se eu encostasse a perna por mínimo que fosse ele pulava, se eu me mexesse ele pulava (estava até cômico), então entramos com o método do açúcar. Meu pai dentro do redondel na frente dele e eu em cima. Quando ele seguia meu pai e se distraía com o açúcar eu agradava ele, me mexia, encostava a perna… ai ele foi percebendo que não era tão ruim assim!

Todo dia depois do treino eu desencilhava ele no redondel, deixava-o solto e ficava brincando com ele. Com muito pouco tempo criamos um laço que eu nunca tinha visto. Até que certo dia o dono dele passou e viu ele solto andando comigo e não acreditou. Chegou perto do redondel e o Egito foi logo falar com ele. O dono ficou sem palavras, não acreditava que aquele cavalo doce era o mesmo que havia quebrado o dedo dele!

 

As próximas etapas foram bem mais simples, ele aprendeu a trotar e galopar tranqüilo tinha uma condução excelente era centrado…

 

 

 

 

Era hora de ver como era a relação dele com o obstáculo.  Novamente o coloquei na guia, armei tudo no redondel e lá foi ele e me impressionou, saltou com tranqüilidade não estranhou nada.

 

Nesta etapa ele já havia mudado de baia, já era o cartão de visita de hípica, todos que chegavam iam passar a mão nele de tão doce que ele havia ficado. Quando eu chegava e chamava o nome dele já ficava todo todo.

 

 

 

Ai fui viajar, logo que cheguei tive uma oportunidade irrecusável de trabalho e tive que mudar de hípica e deixá-lo. Isso com muito aperto no coração, eu me apeguei muito a ele, nunca tinha encontrado um cavalo tão fofo e meigo.

 

 

 

Por esses dias soube que ele havia sido vendido! E lá vem de novo aquele aperto no coração de saber para onde ele foi e como ele esta!

 

 

 

Este é um Lusitano com o qual eu me impressionei e acho realmente que tem futuro tanto no salto quanto no adestramento. Tenho certeza que a pessoa que o comprou deve estar muito feliz com o excelente animal que ele ficou!

 

 

AryBotasSpurWorkshop equestreThaty Vidal